

LUÍS ANSELMO

VC – Obrigado pela oportunidade de podermos falar um pouco e partilhares as tuas ideias.
Começava por te pedir que falasses um pouco do teu percurso no mundo do futebol.
LA – Antes de mais obrigado pela oportunidade. Bom o meu percurso no futebol não é muito vasto, joguei futebol cerca de 30 anos como GR sempre a nível distrital, mas sempre muito dedicado, fazia uma vida como se fosse profissional. Depois de terminado o meu "sonho" tinha que continuar ligado ao futebol, treinador nunca foi uma ambição minha, fui convidado para ser treinador de GR para uma equipa de miúdos para além da experiência que podia passar fiz algumas formações, mas ainda não era aquilo. Entretanto desafiado por um amigo Ex. profissional de futebol dediquei me ao agenciamento de jogadores, gosto do contacto com as pessoas sei o que os jogadores pensam e dá me imenso prazer contribuir de alguma forma para o crescimento de um jogador porque me revejo neles. Resumindo tinha que estar ligado ao futebol, tirando a minha mulher e as minhas filhas da equação o futebol é o amor da minha vida.
VC - Sendo tu um agente como funciona realmente esse trabalho? Como tu atuas no futebol e com os teus atletas? (Resumidamente)
LA – Não é um trabalho fácil requer muita dedicação, acompanhamento constante dos jogadores, uma procura constante de melhores soluções para eles. Um jogador para trabalhar connosco tem que ser humilde, trabalhador e tem que ter muito espírito de sacrifício e claro qualidade. Tem que perceber se quer uma carreira sustentada ou quer andar 3/4 épocas na mesma divisão no mesmo contexto tanto tempo, na procura de um contrato de "milhões" em clubes do Campeonato de Portugal. O nosso objetivo é levá-los o mais longe possível quer em termos desportivos quer em termos financeiros.
VC – Quais as maiores contrariedades que encontraste desde o início da tua carreira no mundo do futebol?
LA – Talvez alguma podridão que se vai vendo aqui e ali, que sozinhos sei que não conseguimos combater, mas se identificarmos alguma situação menos agradável denunciamos. No entanto vamos fazendo o nosso caminho passo a passo, ganhando a confiança dos clubes, diretores, treinadores, jogadores e isso só se consegue se o atleta tiver qualidade e se conseguires conciliar a necessidade dos clubes e dos jogadores, no fundo vamos fazendo de algumas contrariedades uma forma de aprendizagem, tentamos sempre tirar algo positivo.
VC - E já agora, quais as maiores "riquezas" que podes retirar das tuas experiências?
LA – Olha a maior riqueza é saber que os jogadores com que trabalhamos estão bem, saber que de alguma forma contribuíste ou contribuis para o seu bem estar quer desportivo quer financeiro.
VC – Ambicionas ser um agente desportivo profissional e fazer disso a tua profissão a full time?
LA – Esse é logicamente o objetivo, da mesma forma que trabalhamos para os nossos clientes /jogadores atingirem o profissionalismo nós obviamente também o queremos fazer a Full Time, só assim poderemos dedicar 100% de atenção ao nosso trabalho e por consequência aos nossos atletas.
VC - Para terminar, podes me dar a tua opinião como se pode melhorar o mundo do agenciamento no futebol? Achas que são vistos como algo “nefasto” para muitos clubes e entidades?
LA – A meu ver o ponto essencial a melhorar é a seriedade e a honestidade, do agente para com o atleta mas também do atleta para com o agente, o jogador porque muita das vezes é alvo de promessas infundadas por parte do agente e aí o jogador tem que perceber se a promessa tem algum fundamento ou não, até porque que falamos de jogadores maiores de idade, e claro tem que existir seriedade e confiança de parte a parte, digamos que isto é um trabalho de equipa que para haver sucesso têm que trabalhar como um só. Não acho de todo que seja algo nefasto para o futebol, o empresário cria oportunidades de negócio para os jogadores e para os clubes, se houver uma boa sintonia entre ambos todos saem a ganhar.
Obrigado, desejo-te muito sucesso no teu projeto!
Um grande abraço!
