

FILIPE FREITAS

VC – Obrigado pela oportunidade, é sempre um gosto falar contigo amigo.
Começava por te pedir que falasses um pouco do teu percurso.
FF – è sempre um gosto conversar sobre futebol com alguém que também partilha os meus gostos por esta modalidade. Comecei à alguns anos com experiências com os mais pequeninos (Sem competição), depois fui convidado para ser treinador adjunto da equipa da faculdade no campeonato Universitário, aí já estava no curso de Ed. Física e Desporto, daí para a frente começaram a aparecer mais e melhores projetos. Treinei clubes na zona de Lisboa como o Atl. Tojal, UD Alta de Lisboa e CF. Benfica e fui adjunto nos mesmos clubes, tudo isto no futebol de formação. Na minha última época em Lisboa, 2015/2016, fui adjunto de uma equipa de séniores na chamada Pro-Nacional da AF Lisboa (a divisão mais alta do futebol distrital em Lisboa). Mudei-me para Torres Novas em 2016 por motivos pessoais e tive uma experiência de alguns meses nas equipas de pré-competição da EF Benfica da Golegã e fiz parte da equipa técnica da equipa de Juvenis do Goleganense que na altura lutavam para subir ao campeonato Nacional. Seguiu-se uma pausa na atividade de treinador por duas épocas, regressando depois ao ativo na época 2019/20 para ser Coordenador e Presidente da EF Benfica da Golegã, num projeto pessoal que não correu como eu queria, mas ponde aprendi muito sobre gestão de um clube e coordenação de todas as equipas de formação. Nesta duvidosa época recebi um convite para continuar a treinar e coordenar o futebol feminino do CD Vilarense.
VC - Já foste coordenador, presidente, treinador.. Qual a função que mais gostas e porquê?
FF – De todas essas funções a que me dá mais prazer é sem dúvida a de treinador, principalmente nos mais jovens. Adoro ensinar o jogo, adoro passar aos mais novos a forma de ver o jogo. Isto deve-se a todas as dificuldades que encontrei em alguns jogadores juvenis, juniores e séniores. Estes jogadores apesar de já desenvolvidos a nível físico e técnico ainda apresentavam muitas dificuldades na interpretação do jogo e na tomada de decisão. Isto tudo deve-se a uma má qualidade de treino nos esc alões mais baixos e que muitas vezes é desvalorizada pelos dirigentes e coordenadores dos clubes.
VC – Quais as maiores contrariedades que encontraste desde o início da tua carreira no mundo do futebol?
FF – Depende sempre de clube para clube. Mas encontrei varias contrariedades que vão fazendo parte do teu percurso e que te vão tornando mais forte. Num dos clubes tive um grande atrito com dois ou três pais porque achavam que o treino deveria ser mais físico e que os miúdes deveriam ser mais agressivos. “Onde é que já se viu fazer um treino de futebol jogando futebol?” Esta foi uma das frases que cheguei a ouvir. Isto no inicio da tua carreira revolta-te imenso e muitas vezes acabas por ser intempestivo, mas com o tempo começas a aceitar e a perceber que faz parte do processo os tais “pais hooligans” que mesmo tendo jogado futebol ainda hoje não sabem interpretar um jogo com base na inteligência e na tomada de decisão mas sim através da dureza e da componente física.
Cheguei a ter pressões por parte de dirigentes para dar mais minutos a este do que a outro jogador, enfim, tantas situações que vão moldando a tua atitude e a tua forma de encarar este fenómeno.
VC - E já agora, quais as maiores "riquezas" que podes retirar das tuas experiências?
FF – A grande riqueza que tiro ao longo do meu processo foi uma crescente paixão pelo jogo e deixar de parte o fanatismo que poderia ter por um ou outro clube. Comecei a analisar mais o jogo
VC – Onde te vês num futuro a curto prazo e num futuro mais longo, por exemplo daqui a 10/15 anos?
FF – Boa pergunta, mas imagino-me ligado a um projeto próprio ou com o qual me identifico muito, onde poderei aí ensinar o jogo aos mais novos e que esteja também preocupado com uma preparação holística do jovem jogador ou seja que tenha igual atenção ao processo de evolução física do jogador, na sua recuperação e prevenção de lesões, no aperfeiçoamento técnico, no conhecimento do jogo (treino táctico), bem como numa boa nutrição e hidratação e num cuidar das suas emoções (treino mental e psicológico), só assim conseguiremos ter jogadores mais preparados para o futebol no futuro.
VC - Para terminar, podes me dar a tua opinião acerca do futebol jovem em Portugal? Quais os maiores problemas que os treinadores na formação vão ter quando podermos regressar ao ativo?
FF – O futebol jovem em Portugal sofre de um grande mal a falta de capacidade para poder profissionalizar os treinadores especializados na formação de jovens talentos. Ainda encontrampos muitos treinadores na formação que se acham os novos Mourinhos, Guardiolas, Klops… E que os atletas são adultos em ponto pequeno… E todos nós sabemos que não é bem assim, quem está no futebol de formação com objetivo de ganhar visibilidade para subir de escalão esquecendo-se que está a lidar com crianças que têm necessidades de conhecimento e de atenção diferentes de um adulto ou de um atleta sénior.
Os maiores problemas dos treinadores de formação no regresso ao ativo será sempre a vertente física e psicológica. Na vertente física cabe ao treinador tentar devolver ao atleta as capacidades físicas perdidas durante esta fase de confinamento e na vertente psicológica tentar motivar o atleta para o treino e para a necessidade de treinar para compensar o tempo perdido nunca descorando a vertente emocional muito ligada a esta fase de “lockdown”. Cabe-nos a nós treinadores de formação, tentar manter os atletas motivados para a prática e “recuperar” todos aqueles que a pandemia afastou da prática desportiva.
Obrigado, desejo-te muito sucesso tanto pessoal como no clube que ambos representamos!
Um grande abraço!
