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Qe pasa Culés?

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Para mim e na minha opinião uma das ideias de jogo mais bonitas que já vi na vida. Aquele futebol de toque, de paciência, o chamado Tiki Taka, foi um dos grandes impulsionadores para eu me querer tornar treinador e começar a olhar para o futebol de outra forma e a querer “estudá-lo”.

Dei por mim um dia veste a ver o primeiro clássico da era Guardiola (enquanto treinador) no Camp Nou contra o Real Madrid, na altura treinado pelo Juande Ramos.

Época 2008/2009, o Barcelona venceu por 2-0. Apesar de só ter marcado nos últimos 5 minutos os dois golos, já se começava a notabilizar uma grande supremacia em campo da equipa de Guardiola em todos os momentos do jogo. Neste jogo por acaso nem jogou Iniesta, o meio campo ficou entregue a Yaya Touré e Xavi, mais a frente Messi no apoio ao tridente ofensivo composto por Thierry Henry, Samuel Eto’o e o islandês Gudjohnsen.

Quatro épocas com Guardiola no comando técnico da equipa, muitos títulos, muitos jogos memoráveis, acima de tudo este sucesso todo com a ideia e formação na famosa academia de La Masia. Marcou completamente uma geração e deixou uma página escrita na história do futebol não so pelo futebol jogado mas pelos títulos conseguidos com esse estilo.

Claro que não se ganha o que Barcelona ganhou nessa altura só com miúdos, tinha também excelentes jogadores com carteira internacional e títulos ganhos noutros contextos e realidades. Foi um casamento perfeito.

 

 

No final da época 2011/2012 Guardiola sai do clube, ficando á frente da equipa um ex adjunto seu, Tito Vilanova, que se sagra campeão chegando aos 100 pontos na Liga, e o futebol praticado tinha ainda muito das ideias do antigo treinador, com nuances aqui ou acolá claramente porque cada treinador tem as suas ideias.
 

Entretanto Tito Vilanova adoeceu, e acabou por falecer posteriormente devido a doença prolongada, chegando a Barcelona o argentino Tata Martino, até então treinador no Newell’s Old Boys onde estava a realizar um trabalho bastante positivo.

Sempre com a sombra dos antecessores, digamos que nunca foi uma escolha muito consensual e apesar de ter começado bem com a conquista da supertaça e ter conseguido bater um recorde de mais jogos invencíveis para um treinador recém entrado no clube, o plantel começou a sofrer algumas lesões, jogadores como Messi, Neymar, Piqué, e as coisas começaram a correr menos bem ao treinador.
 

No entanto na ultima jornada do campeonato recebia em casa o Atlético de Madrid e ganhando sagrar-se-ia campeão espanhol mesmo com algumas contrariedades. Empatou e o Atlético foi campeão em pleno Camp Nou.

Saiu no final da época e entrou Luis Enrique, vindo do Celta de Vigo. Treinador com história passada no Barcelona (tal como Guardiola). Não quero dizer nem apelida-lo de substituto de Guardiola mas aí começou uma nova era, ganhando o triplete na primeira época, com um futebol muito vistoso e espetacular. Respirava-se futebol novamente em Camp Nou, apostando novamente em jogadores da casa e da La Masia mas também contratando aqui ou acolá alguns atletas essenciais para ajudar os mais novo.
 

Esteve três temporadas em Barcelona, teve sucesso, bom futebol e o chamado Tiki Taka voltava a estar presente (não da mesma forma, como disse anteriormente os treinadores pensam todos de forma diferente o jogo).

Sai em 2017 e desde então que algo se passa no clube, a meu ver.

Entrou Ernesto Valverde, mesmo com o sucesso desportivo, foi bi campeão espanhol, algo faltava nas equipas e talvez na estrutura.

Algumas contratações sem nexo, muito dinheiro gasto (e mal) a aposta na formação começou a decair um pouco, futebol praticado muito longe do que a história do Barcelona nos tem habituado.
 

A época 2019/2020 foi terrível para o clube, Valverde sai a meio da época, vem Quique Setién que era apelidado de ter uma filosofia de jogo parecida com o que se pretende em Barcelona, nunca conseguiu impô-la e a temporada acabou muito mal para os catalães, principalmente pela derrota estrondosa aos pés do Bayern de Munique nos quartos de final da Champions.
 

Esta temporada entra Ronald Koeman, outro treinador com historial no clube, mas também não tem convencido. Verdade que foi dos primeiros anos que houve um desinvestimento nas contratações e voltando a apostar na prata da casa.

Será um problema estrutural? Falta de identidade? Falta de um projeto desportivo?

 

Para mim vai ser sempre um clube que comecei a adorar quando Guardiola lá esteve e continuei a adorar. Há que dar tempo ao tempo e acreditar que o Barcelona vai regressar aos tempos áureos e que nos voltará a deixar “babados” de os ver jogar.

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